Emoção na Noite do Troféu Guri

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Rádio Gaúcha concede distinção a 10 personalidades durante a Expointer

Na coroação de grandes carreiras, 10 personalidades gaúchas foram homenageadas ontem à noite durante a 13ª edição do Troféu Guri, na Expointer. Em cerimônia realizada na Casa RBS, em Esteio, o passado e o presente se reencontraram em música e palavras que resumiram a trajetória bem- sucedida dos premiados. A distinção é entregue anualmente pela Rádio Gaúcha.

Em um telão, os homenageados puderam rever cenas de suas próprias histórias em vídeo, durante solenidade apresentada por Pedro Ernesto Denardin, com participação de comunicadores do Grupo RBS.

A 13ª edição a ressaltar os personagens gaúchos que contribuem com seus trabalhos para levar a cultura e o espírito do Rio Grande do Sul para além das margens do Rio Mampituba teve início com duas personalidades da música gaúcha no palco, formando um trio virtual com um clássico da canção nativista.

Num dueto perfeito, as vozes dos músicos Neto Fagundes e Daniel Torres se uniram ao interpretar uma das canções símbolos do tradicionalismo rio-grandense. Ao entoar versos de Guri, como “Não deixe que eu me separe deste rancho onde nasci”, os cantores surpreenderam o público ao passar a canção para a voz de seu mais ilustre intérprete: César Passarinho, que, por meio de um vídeo gravado no passado, teve sua imagem presente na festa.

César Passarinho

César Passarinho

Depois de apresentados, os homenageados foram recebidos no palco pelos padrinhos, que narraram cada uma das histórias com um olhar de quem teve a oportunidade de acompanhar essas trajetórias ao longo dos anos. Já os troféus foram entregues pelas mãos de empresários parceiros do eventos e diretores do Grupo RBS.

– A RBS está sempre ao lados das comunidades onde atua, valorizando suas conquistas e realizações. O Troféu Guri é uma maneira de homenagearmos as pessoas que, com suas múltiplas atuações, fazem uma contribuição diferenciada para o Estado e para o país – afirmou Geraldo Corrêa, vice-presidente RS do Grupo RBS.

Os homenageados de 2010:

LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL

Natural de Porto Alegre, é professor da PUCRS e escritor.

“Escritor dizer que não tem palavras é complicado, então dedico à minha família, que sempre me perdoou pelas ausências e esquecimentos. Compartilho o prêmio com todos os escritores gaúchos, tanto em início de carreira quanto de longa jornada.”

PEDRO MONTEIRO LOPES

Nascido em Itaqui, é produtor e vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Hereford e Braford.

“ Eu me emociono. Não poderia deixar de dedicar este troféu à RBS, à minha família pelo apoio que meu deu na vida, e à querida Itaqui. E aos meus quase 400 funcionários, a quem sempre procurei ser leal.”

JOSÉ CAMARGO

Natural de Vacaria, preside a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica.

“Agradeço este instrumento valioso para nos promover como profissionais e nos afagar como gaúchos. Esse prêmio trouxe encantamento e brilho aos olhos de quem me ama.”

CELESTINO VALENZUELA

Narrador esportivo, atuou nas décadas de 60, 70 e 80.

“Quando recebi a notícia, fiquei flutuando de emoção e felicidade. Hoje, para minha surpresa, recebi o troféu das mãos de Nelson Sirotsky, e entrei em órbita. O Troféu Guri merece um retumbante Que laaaaaaance!”

ALEXANDRE GARCIA

Especializado na área política, o jornalista nascido em Cachoeira do Sul atua na Rede Globo.

“O prêmio contraria o dito popular de que santo de casa não faz milagre. Obrigado ao meu pai (ex-radialista), meu exemplo de trabalho e pela minha trajetória, à minha mãe e ao meu avô. A história do Rio Grande do Sul reforça o civismo do povo brasileiro”, em mensagem gravada, pois foi representado pelo empresário Paulo Vellinho.

ZÊNIA ARANHA DA SILVEIRA

Produtora rural e coordenadora da Comissão de Produtoras Rurais da Farsul.

“Sinto muito orgulho, felicidade e emoção. Que bom que posso compartilhar esse belo momento com a minha família, com meus amigos da Farsul e minhas amigas produtoras rurais.”

NESIO ALVES CORRÊA, O GILDINHO

Nascido em Soledade, o músico integra o grupo Os Monarcas.

“A não ser tocar minha gaita, meu saber é muito pouco. Ofereço o prêmio para os meus colegas de Os Monarcas, à minha família e à minha gravadora.”

CLÓVIS TRAMONTINA

Empresário, comanda a Tramontina.

“Estou emocionado, e quero dividir com toda nossa equipe, de mais de 6 mil pessoas. Obrigado ao meu pai e ao meu padrinho, que me passaram valores muito importantes.”

PAULO BELLINI

Fundador da Marcopolo, preside conselho de administração da empresa.

“Obrigado à RBS e aos meus colegas de gurizada pela homenagem.”

WILSON ZANATTA

Presidente do Grupo Bom Gosto de Laticínios.

“Imaginei várias coisas na minha vida, mas optei pelo leite, que tem um lado social e financeiro. Isso tudo valeu a pena e divido o prêmio com a família e meus colaboradores.”

 Fonte: ZERO HORA – 01 de setembro de 2010

Guri

by Daniel Torres 0 Comments

7 de agosto de 2010 | Coluna de Paulo SantAna na Zero Hora

Ah que saudade, César Passarinho, da tua voz ecoando pelo auditório, os gaúchos e as prendas te ouvindo reverencialmente, o tom másculo e delicado das tuas estrofes encantando as pessoas:

Das roupas velhas do pai

Queria que a mãe fizesse

Uma mala de garupa

Uma bombacha e me desse.

* * *

Enquanto cantavas, César Passarinho, espalhava-se pelo auditório uma unção gauchesca e nativista que parecia aos ouvintes que a pátria primeira era o Rio Grande, o Brasil não passava de um território depois anexado:

Queria boinas e alpargatas

E um cachorro companheiro

Pra me ajudar a botar as vacas

No meu petiço sogueiro

* * *

De onde é que o João Batista Machado e o Júlio Machado da Silva Filho foram tirar tanta inspiração para compor este Guri?

É um hino comparável ao Canto Alegretense, tem de ser cantado ajoelhado ou em posição de sentido.

Mas tu, ícone amado, César Passarinho, pássaro canoro, emprestaste a esta canção célebre um cheiro de pampa e de tapera dificilmente conseguido em outras composições célebres.

* * *

Hei de ter uma tabuada

E o meu livro “Queres ler”

Vou aprender a fazer contas

E algum bilhete escrever

Pra que a filha do seu Bento saiba

Que ela é meu bem querer

E se não for por escrito

Eu não me animo a dizer

* * *

Que saudade que dá do tempo em que eras vivo, César Passarinho, embora as gravações te tenham eternizado.

Quando eu ouvia o Leopoldo Rassier, saudoso amigo, me lembrava de ti, quando ouço o João de Almeida Neto, o José Cláudio Machado, o Élton Saldanha, o Daniel Torres, o Wilson Paim, quando ouço todos estes rouxinóis, lembro-me de ti, César Passarinho:

* * *

Quero gaita de oito baixos

Pra ver o ronco que sai

Botas feitio do Alegrete

E esporas do Iborocai

Lenço vermelho e guaiaca

Compradas lá no Uruguai

Pra que digam quando eu passe

Saiu igualzito ao pai

* * *

É muito bom, César Passarinho, que nosso maior ídolo cantante sejas tu, negro, pois a raça negra forjou também este Rio Grande das peleias, do chimarrão, do churrasco, da bombacha, do tirador, do pingo, da cana, do carreteiro e das invernadas.

Tu tinhas e tens, César Passarinho, catinga de pampa e de coxilhas.

Mas, cá para nós, entre todas as pérolas que cantaste, este Guri foi de fazer-nos enlouquecer e “ir dormir nos trilhos”.

*Texto publicado em ZH

Link: http://wp.clicrbs.com.br/paulosantana/2010/08/07/guri/?topo=13,1,1,,,2